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quinta-feira, 19 de março de 2015

Quimera

UM DIA ATRAVESSEI UMA CIDADE POPULOSA
Um dia atravessei uma cidade populosa imprimindo no meu cérebro, para utilizar mais tarde, as suas                           características, arquitectura, costumes, tradições,
Hoje, porém, de toda essa cidade, apenas me lembro de uma mulher que casualmente encontrei ali e                           me reteve por me ter amado,
Dia após dia, noite após noite, estivemos juntos-há muito que esqueci tudo o mais,
Lembro-me, digo eu, apenas daquela mulher que apaixonadamente se ligou a mim,
De novo vagueamos, amamo-nos e de novo nos separamos,
De novo ela me agarra a mão, devo aqui ficar,
Vejo-a junto de mim com silenciosos lábios, triste e trémula
-Walt Whitman


   É difícil, esgotante e stressante. Se me perguntarem quem sou não saberei responder, porque tudo o que eu era ficou nas assintotas, logaritmos, ficou no meio de um poema de Pessoa.
   Sinto que cada dia tenho menos paciência para as pessoas e menos tempo para mim, para o que realmente gosto. Já não gosto de nada.
   "Aproveitem as férias para descansar" dizem eles. Impossível! Ficar sentada no sofá faz-me cãibras e faz-me chorar os olhos. Não estou preparada para outra mudança, não quero sair deste clima do secundário que me sufoca. Sou masoquista. É isso, sou masoquista! Prendam-me neste inferno e deixem-me arder no meio destes livros.
   O tempo está a passar muito depressa e o terceiro período, o juízo final, o cabo das tormentas, o levantamento da indeterminação está a chegar.
   "Sejam felizes", não o sou. É tão injusta a maneira como as coisas acontecem. Não foram os melhores anos da minha vida, isso vos posso garantir e isto não é uma avaliação prematura, é uma certeza que já dura desde o inicio do 12º ano.
   Sim, queria ficar presa nos três piores anos da minha vida.
   Já disse, sou masoquista e pelos vistos covarde também.
   E este não foi o meu melhor post. Não importa.
                             

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